Ecossistemas

Entenda a rede antes de correr atrás do airdrop

Todo airdrop cripto acontece em uma blockchain específica. É ela que define o que você assina, quanto paga de taxa, qual carteira precisa usar e quais golpes vai encontrar pelo caminho. A pesquisa começa aqui.

14 redes · Contadores ligados à nossa base de dados

Os 14 ecossistemas

O contador inclui todo projeto da nossa base que cita a rede entre as suas e que já tem página em português, inclusive campanhas encerradas. Zero significa que ainda não temos página verificada em português para aquela rede, e não que nada esteja acontecendo nela.

Como escolher um ecossistema para acompanhar

Quem tenta acompanhar as catorze redes ao mesmo tempo acaba não entendendo nenhuma direito. O caminho mais seguro é escolher uma ou duas, aprender como funcionam de verdade e deixar as outras de lado até aparecer algo verificado. Esta é a ordem que nós seguiríamos.

  1. Comece pelo que você já sabe proteger. Se você já domina carteiras EVM e aprovações de token (as famosas "approvals"), uma rede EVM reduz a chance de um erro caro. Aprender um modelo de conta novo enquanto o prazo de um resgate está correndo é justamente a situação em que as pessoas perdem dinheiro.
  2. Olhe o histórico, não o barulho. Cada página de rede aponta as campanhas que acompanhamos ali e como elas terminaram. Uma rede com várias distribuições encerradas e bem documentadas ensina como as regras costumam ser escritas. Uma rede sem nenhum registro ensina a reconhecer o silêncio.
  3. Calcule o custo de um teste honesto. Faça uma operação pequena, leia o que a carteira pede para você assinar e veja quanto custou. Depois se pergunte se repetiria aquilo sem nenhuma recompensa garantida.
  4. Prefira redes com documentação legível. As páginas desta seção citam a documentação oficial para taxas e contas. Quando a documentação de uma rede não diz algo, nós avisamos em vez de chutar.

Isto é avaliação editorial, não ranking. Ninguém consegue dizer com seriedade qual rede vai ter o próximo airdrop que vale a pena. O que já verificamos está nos novos airdrops cripto, nos airdrops potenciais e nos airdrops confirmados.

O que muda de uma rede para outra para quem caça airdrops

EVM ou não EVM

No Ethereum, na Base, na Arbitrum, na Optimism, na Linea e na BNB Chain, o mesmo endereço funciona em todas as redes, com as mesmas carteiras, as mesmas aprovações e os mesmos golpes. Isso é tão prático quanto perigoso: uma chave vazada em uma rede está vazada em todas. Solana, Cosmos, TON, Sui, Aptos e Bitcoin usam formatos de endereço e carteiras diferentes, então uma carteira em que você confia em uma rede pode nem existir na outra. Starknet e ZKsync são layer 2 do Ethereum, mas o modelo de conta delas foge do padrão EVM, e por isso cada uma tem página própria.

Modelos de conta

Diferenças de conta e de assinatura, segundo a documentação oficial de cada rede
RedeO que a documentação diz sobre contasO que isso muda para você
SuiEndereço de 32 bytes para contas e objetos; os ativos são objetos com tipo de propriedadeConfira quais objetos uma assinatura movimenta
AptosEndereços de 32 bytes; as chaves de autenticação podem ser trocadas; os ativos são recursos MoveCompare o endereço inteiro, não só o começo e o fim
StarknetToda conta é um smart contract com etapas próprias de validação e execuçãoO software da conta faz parte do seu risco
ZKsyncAbstração de conta nativa, com paymasters opcionaisUma ação sem taxa ainda exige assinatura
LineaCompatível com EVM e com suporte a transações EIP-7702Desconfie de pedidos de "atualização" da conta
BNB ChainA BNB Smart Chain é totalmente compatível com EVMVale a higiene EVM de sempre
BitcoinRegistro em UTXO; nenhuma distribuição de token nativaAs distribuições acontecem em outras camadas

Nível das taxas

A taxa de gas, ou seja, a tarifa de rede paga em cada transação, decide quantas tentativas você pode bancar. As páginas oficiais que analisamos quase sempre descrevem uma estrutura de taxas, raramente um preço típico: a Sui dá uma fórmula e exemplos, a Aptos explica as taxas de gas e de armazenamento sem valor médio, a Starknet detalha componentes pagos em STRK, a Linea segue um modelo EIP-1559 com custo de infraestrutura fixo de 0,03 gwei e a BNB Smart Chain cita um preço de gas padrão de 0,05 gwei. No ZKsync, o custo depende do gas do Ethereum; no Bitcoin, da disputa por espaço nos blocos.

Só convertemos para reais quando a documentação traz uma quantidade fixa de cripto, e sempre a partir de uma cotação de referência redonda, para que você multiplique pela cotação do dia. Exemplo: a tarifa de 0,001 ETH que a Linea menciona para transferências de volta ao Ethereum equivale a R$ 10 quando o ETH vale R$ 10.000, e a R$ 20 quando vale R$ 20.000. A estimativa da sua carteira, no dia, continua sendo a única referência confiável.

Famílias de carteiras

Cada família tem as suas carteiras, exploradores de blocos e bridges, e as falsificações sempre seguem a família da moda. Nas páginas de rede, só citamos ferramentas nomeadas na documentação oficial. Abra carteiras e bridges sempre a partir da documentação da própria rede. Para entender quem guarda as chaves, leia nosso guia carteira custodial ou não custodial.

O que os contadores dizem, e o que não dizem

O número em cada cartão conta os projetos da nossa base que citam a rede entre as suas e que já têm página em português. Ele mede o que verificamos em fontes primárias, não o movimento real de uma rede. Campanhas encerradas entram na conta, porque são a melhor prova de como as regras foram escritas e de como os resgates foram organizados.

Leia um zero com cuidado. Ele quer dizer que ainda não temos página verificada em português para aquela rede, não que nada aconteça lá. Também quer dizer que qualquer site que anuncie um airdrop "confirmado" nessa rede precisa mostrar um link para uma fonte oficial. Um número alto pede o mesmo cuidado: uma lista longa de campanhas encerradas mostra que a rede já teve distribuições, não que terá outras. A lista de airdrops encerrados lembra que os prazos são reais e que alocações não resgatadas não ficaram guardadas para quem chegou atrasado.

Três erros comuns na hora de trocar de rede

Levar os hábitos de EVM para outro modelo
Achar que "aprovo uma vez e revogo depois" funciona em todo lugar. Na Sui, a documentação descreve os tokens como objetos que você possui; na Starknet, as contas são contratos com validação própria. Os riscos são diferentes, então as verificações também. Leia a página da rede antes da primeira assinatura.
Confiar em uma bridge porque ela é famosa
Uma bridge é um contrato que guarda o dinheiro de outras pessoas. A bridge indicada por uma rede aparece na documentação oficial dela; prazos, etapas de resgate e taxas extras aparecem na página da própria bridge. A documentação da Linea, por exemplo, cita uma etapa manual de resgate para saques e a tarifa de 0,001 ETH nas transferências para o Ethereum.
Tratar programa de pontos como promessa
Pontos, temporadas e incentivos existem em quase todas as redes. Se eles vão virar token é uma decisão que o projeto toma depois. Nosso guia de programas de pontos explica como ler essas regras, e as páginas de rede mostram onde existe pagamento documentado e onde não existe.

Você não precisa acompanhar todas as redes. Precisa saber em qual está assinando, e por quê. Se está começando, escolha uma rede EVM que você já usa, leia a página dela aqui e trate o primeiro mês como treino, com valores pequenos.

Para ver como uma distribuição terminou antes de se interessar por uma campanha em andamento, comece pelos airdrops encerrados e pelos airdrops retroativos, aqueles que recompensam uma atividade passada.

Segurança de uma rede para outra

A maioria das perdas de que ficamos sabendo acontece nas passagens entre redes, e não dentro de uma rede. Estas regras valem em qualquer lugar.

  • Uma carteira para cada finalidade. A carteira de campanha guarda só o que a campanha precisa. Nosso guia de carteira burner mostra como montar uma.
  • A bridge é o passo que exige mais confiança. Você manda fundos para o contrato de outra pessoa. Use a bridge indicada na documentação oficial da rede e leia prazos e taxas antes de começar, como a documentação da Linea faz para a bridge nativa.
  • Confira a rede antes de assinar. Verifique o nome da rede e o identificador (chain ID) na carteira. Uma página que pede para você trocar de rede está levando você justamente para o passo em que os erros acontecem.
  • Nunca passe a sua seed phrase. A frase-semente são as 12 ou 24 palavras que restauram a carteira. Nenhum resgate legítimo, nenhuma bridge e nenhum suporte precisa dela.
  • Revogue o que não usa mais. Nas redes EVM, revogar aprovações de token remove permissões que ficariam abertas para sempre.
  • Desconfie da pressa. Um programa real informa o prazo na própria documentação. A Linea, por exemplo, explicava que a janela de 90 dias dispensava qualquer correria.

O que muda para quem está no Brasil

A parte técnica é a mesma em qualquer país. Mas três pontos mudam para o leitor brasileiro, e eles valem para os catorze ecossistemas.

O Banco Central e as corretoras

Resgatar um airdrop é algo que você faz da sua própria carteira, mas muita gente depois usa uma corretora para vender ou guardar os tokens. A Resolução BCB nº 520, que entrou em vigor em 2 de fevereiro de 2026, determina que as prestadoras de serviços de ativos virtuais peçam autorização ao Banco Central para atuar. Quem já operava antes tinha 270 dias, contados da entrada em vigor, para fazer o pedido; quem pediu no prazo pode continuar funcionando até a conclusão do processo, e quem não pediu deve parar em até 30 dias depois do fim do prazo. Pela redação dada pela Resolução BCB nº 589, a partir de 6 de novembro de 2026 bancos e demais instituições autorizadas pelo BC ficam proibidos de fazer ou viabilizar operações com prestadoras de ativos virtuais que não estejam autorizadas a funcionar no país.

A mesma resolução tem uma curiosidade útil: ela define airdrop como a distribuição gratuita de ativos virtuais a clientes ou usuários, por meio de tecnologia de registro distribuído, geralmente para aumentar a liquidez ou fomentar o projeto no começo. E, entre as informações mínimas que uma corretora deve levantar sobre os ativos que oferece, lista "informações detalhadas sobre airdrops, considerando riscos e benefícios para o cliente". Ou seja, até o regulador trata airdrop como algo que tem risco, não só benefício.

Golpes com sotaque brasileiro

Os golpes que mais vemos por aqui são variações conhecidas: o falso "suporte" que chama no WhatsApp ou no Telegram, a pirâmide disfarçada de airdrop que pede um depósito via Pix para "liberar" tokens, e o perfil falso de influenciador. O Ministério da Fazenda descreveu o roteiro: o golpista cria no Instagram uma conta com o nome de um influenciador conhecido, trocando só um caractere, compra seguidores, copia as fotos e manda mensagens privadas oferecendo investimentos, na maioria em cripto. A CVM, na página Criptoativos & Forex, alerta para ofertas que prometem rentabilidade de 10%, 20% ou até 60% ao mês. Airdrop de verdade não pede depósito para você receber nada.

O imposto de renda

O Perguntas e Respostas IRPF 2026 da Receita Federal diz que criptoativos são declarados na ficha Bens e Direitos, Grupo 08, pelo valor de aquisição, quando o valor de aquisição de cada tipo for igual ou superior a R$ 5.000,00, informando tipo, quantidade e onde estão custodiados (empresa com CNPJ ou custódia própria). Na custódia própria, é a residência do contribuinte que define se o ativo está no Brasil ou no exterior. Para criptoativos custodiados ou negociados por instituições no Brasil, o ganho de capital é isento quando o total vendido no mês, somando todos os criptoativos, não passa de R$ 35.000,00; acima disso, há tributação por alíquotas progressivas, com DARF no código 4600. Já os custodiados ou negociados por instituições no exterior são tratados, desde 1º de janeiro de 2024, como aplicações financeiras no exterior, com alíquota de 15% na declaração anual e sem isenção. O documento não trata especificamente de airdrops; explicamos as dúvidas em aberto no guia de imposto sobre airdrop.

Um hábito vale para todas as redes: no momento do resgate, anote data, hora, quantidade, rede e o identificador da transação (o hash). Para guardar essas anotações, o rastreador de airdrops salva tudo só no seu navegador. O básico está em o que é airdrop cripto, e os outros temas estão nos nossos guias.